Um Mix

Papo de 5ª com JP (Freedom)

Posted on: janeiro 21, 2010

Por: Edu Henrique | Foto: Arquivo pessoal JP

Promotor da Freedom, uma das baladas mais bem vistas no meio gls da região sul de Santa Catarina, João Paulo Medeiros, o JP, abre o jogo com o UmMix e fala de preconceito, rivalidade entre os promoters e um novo empreendimento. Acadêmico de Direito, passou sua infância em Laguna, aos 18 anos mudou-se para Criciúma, com 22 foi para Londres, voltou para o Brasil aos 25, morou dois anos em Florianópolis e depois retornou à Criciúma, onde começou a promover festas e vive até hoje.

João Paulo (JP)

UM: Quando você começou a promover festas para o público gls?

JP: Há três anos. Comecei como promoter da Ava (casa noturna de Criciúma).

UM: Você já promoveu festas para o público em geral (hetero)?

JP: Sim. A minha feijoada no verão.

UM: Qual a diferença?

JP: Com o público gls não tenho problemas com brigas e incomodações desse tipo. Já o público hetero é mais complicado, eles se alteram muito.

UM: No contexto da região sul de SC, dá pra ganhar dinheiro com festas gls ou é uma coisa mais para “promover o social”?

JP: O sul esta crescendo agora, então tudo é um começo. Mas não dependo das festas para sobreviver, pois elas (as festas) ainda estão saindo do armário. Aqui é uma cidade pequena, então tem que saber fazer para não expor os clientes.

UM: Então as festas são utilizadas como uma bandeira contra a discriminação?

JP: Sim. Para todos terem o mesmo respeito perante a sociedade e mostrar que o grupo gls está aí e quer o seu lugar.

UM: Como você vê a questão da discriminação sexual aqui, nesta região que ainda está crescendo?

JP: Muito grande. Até a questão de empregos. As oportunidades são difíceis para essas pessoas. Se eles não tem seu próprio negócio é difícil entrar numa empresa com um bom cargo. Quando são homossexuais assumidos, a sociedade fecha os olhos e vê isso como uma doença.

UM: E você sofre algum tipo de preconceito por promover essas festas ou estar diretamente relacionado a esse público?

JP: Não, pois isso é um trabalho normal e procuro mostrar que faço um trabalho sério e com respeito. Assim sou respeitado. Sempre tem um engraçadinho ou outro. Mas isso eu já tiro de letra.

UM: E quanto ao público que frequenta suas festas. De onde vem, como são?

JP: De todos os lugares. De laguna até Torres. Eu pego um público formado por arquitetos, médicos, advogados, empresários, casados e etc. Todos sabem que é um lugar seguro e que ninguém cuida da vida de ninguém. Todos estão ali para se divertir.

UM: Então o velho boato de que a Freedom é uma festa mais “elitizada” se confirma?

JP: Sim. São pessoas bonitas e bem quistas. E agora estamos trazendo a boate Twiga, de Curitiba, para abrir sua filial em Criciúma. Em Curitiba essa boate pertence à socialite Aninha Tancredo, a família dela é de Criciúma.

UM: Mais uma opção na região…

JP: Sim, uma casa de alto padrão para o público gls.

UM: Existe rivalidade entre as casas e promotores de eventos gls aqui na região ou isto é algo superável devido à necessidade de socialização do meio homossexual?

JP: Procuramos não ver rivalidade. Mas existe e quem ganha é o público, pois, com a concorrência, dá para optar pela melhor festa.

UM: Suas festas são conhecidas por proporcionarem alto padrão e pouca apelação. O que você pensa sobre eventos gays que utilizam gogo boys que fazem strip-tease e até masturbação e sexo no palco para atrair público?

JP: Isso vai da escolha do público que você quer atingir. Se você quer trabalhar com as bonitas, você não precisa de apelação (risos). Mas se você quer ser promoter de baixaria aí você faz esse tipo de festa.

UM: As bonitas?

JP: As bonitas são as bibas de elite, as socialites do público gls. É um apelido carinhoso do meio gls.

UM: Costumam acontecer histórias engraçadas nas suas festas? Você poderia contar alguma que marcou?

JP: Tem uma que o segurança que contratei chegou com todo jeito de machão e tal. No final encontrei ele “se pegando” com um cara no banheiro. Eu fiquei bem assustado, pois nunca diria que ele era (risos).

UM: E quem frequenta mais as suas festas, os meninos ou as meninas?

JP: É praticamente igual. Tem festa que tem mais meninos. Tem festa que tem mais meninas

UM: E os simpatizantes? Frequentam bastante ou é lenda?

JP: Frequentam sim, e muito. Principalmente as mulheres, que vão para dançar sem nenhum homem incomodando. Elas vão, divertem-se e vão embora. De boa.

UM: Que mensagem você daria para os homossexuais que tem vergonha da sua orientação sexual?

JP: Vai de cada um. Se eles gostam da vida deles assim enrustida, tudo bem. Se não, saia do potinho e vira purpurina! (risos). Não é porque vai se assumir que vai chutar o balde. Se assuma, mas continue tendo o seu respeito e fazendo os outros respeitarem você.

UM: Você já se incomodou por ser gay?

JP: Não, pois o respeito deve vir acima de tudo. Sei ser educado, mas também sei chutar o balde quando é preciso.

UM: Em que situações você costuma chutar o balde?

JP: Na falta de respeito comigo e com o meu público e quando vejo pessoas que riem. Ali (no meio dos que riem) sempre tem um que é e não se assume.

UM: E que mensagem você deixaria para os pais de homossexuais que não aceitam a orientação dos filhos?

JP: Os pais devem dar o apoio, pois, o apoio da família é muito importante para o filho não sofrer ou fazer besteira.

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12 Respostas to "Papo de 5ª com JP (Freedom)"

Nossa, super apoiado.
Eu apoiarei também que tiver coragem de criar uma GLS aqui em Tubarão! rsrsrs

Ótima matéria!

Beijos a equipe! :*

A-DO-REI a entrevista. Continuem assim que vocês vão longe.
Beijos tetéquinha. (L)

A freedom eh a melhor festa da região.

Nossa estao de parabens,
fizeram uma otima matéria

abraçoxx

Daew amigão, beleza? Primeiramente quero lhe parabenizar pela ideia do blog. O público-alvo é bem definido e você escreve super bem. Gostei muito da maneira descontraída que você publica seus textos e estarei sempre acompanhando esse trabalho. Grande abraço e… não deixe de visitar o http://www.reflexodenarciso.blogspot.com He, he.

parabens !!!
vc escreve muito bem dudu, e fez uma otima entrevsista e com certeza contribuira com o publico GLS

abraço

Parabéns pela entrevista, com certeza irá contribuir muito para a diminuição do preconceito no mundo

Entrevista muito bem elaborada.Do Edu não se poderia esperar menos.Seria uma benção ter em Tubarão o JP pra realizar umas festinhas com todo esse alto nível que ele demonstra.

Até hj fui apenas em UMA balada gls realizada aqui em Tubarão, lembro de ter me divertido horrores brincando de “bate-cabelo” com uma performer!!

E sobre o entrevistado: um ser evoluído. Despretencioso. Aqueles discursos afetados buscando auto-afirmação que tanta gente faz são passados e meio nonsense.

Loved him!

Mais uma incrível obra do Edu hehehehe. Adorei a entrevista, acho que as pessoas precisam aprender a viver sem preconceitos e entenderem que o fato de ser gay não interfere na integridade das pessoas.
Nunca tive oportunidade de frequentar uma festa dessas mas confesso que sempre tive curiosidade. Um dia ainda irei em uma
hehehehehehe.

Parabéns Edu

Bjinhoss :=) ♥

oi,gostaria de saber se tm como me manter informada sobre as festas que estão por vir,gostaria muito de frequentar
bjs
desde já agradeço

onde fica em criciuma??

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