Um Mix

Dia Internacional da Mulher: Papo especial com Aline Lee

Posted on: março 8, 2010

Por: Edu Henrique | Foto: arquivo pessoal Aline Lee

A Dj Aline Lee começou sua carreira como promotora de eventos criando a G3 Parties e realizando um trabalho inédito na cidade de Tubarão, promovendo Festas para o segmento GLS. Já passou por diversas casas e festas em Santa Catarina e tocou ao lado de nomes famosos. Atualmente ela inicia um novo projeto de eventos, a Unique Label Party, que estreia no próximo dia 27. O papo é especialmente para o dia internacional da mulher.

UM: O que representa para você ser uma mulher com uma profissão diferente, com uma orientação sexual diferente e que participa de projetos diferentes em país que não vê as diferenças como algo normal?

AL: Por mais que não aparente, porque não costumo expressar isso, tenho uma preocupação social constante e levo essa postura para o meu trabalho. É por isso que tento transparecer respeito por aqueles com quem convivo, para quem realizo meus eventos, para quem está perto ou longe da minha realidade. Tento no dia a dia mostrar que, na verdade, as minhas “diferenças” não obstruem meu caráter, nem me moldam e que pessoas como eu (gays, lésbicas, etc) podem viver tranquilamente em sociedade, respeitando e sendo respeitadas. Conquisto a cada dia mais espaço e acredito que seja por não me subjugar e por não permitir que me menosprezem por isso ou aquilo.  Tenho muito orgulho do meu trabalho e acredito que as diferenças existem sim, mas que são vencidas dia a dia com militância, aproximação, respeito e postura.

UM: A homofobia em relação às mulheres homossexuais é maior do que a sofrida pelos homens homossexuais em geral? Como você vê a questão da aceitação?

AL: No meu caso posso dizer que já sofri discriminação, mas isso aconteceu quando ainda não sabia me posicionar, quando tudo ainda era muito novo para mim. Mas isso não é motivo para relaxar. Sei da existência de muitos casos graves, que vão de discriminação verbal a agressão física. A aceitação tem que partir primeiramente da própria pessoa independente se é homem ou mulher, digo isso porque sou extremamente contra aqueles que, como dizemos, ficam no armário. Essa atitude faz muitas vezes aparentarmos ser uma minoria insignificante, sendo que na verdade somos muitos. Acredito muito na postura de cada um. Sofremos muito quando nos assumimos e é isso que muitas pessoas temem, é por isso que muitos preferem se esconder. Mas penso que pra cada escolha na vida há um peso, e que temos que assumir as consequências de nossos atos e de nossas omissões. É mais fácil pagar o preço, libertar-se e ser quem você é. Quanto mais pessoas viverem assim, mais gente vai conseguir sair do armário, seremos mais vistos, em maior número e consequentemente mais respeitados.

UM: As lésbicas brasileiras possuem bons motivos para comemorar o dia internacional da mulher?

AL: Acho que ainda não temos muitos motivos para comemorar. Claro que as coisas já mudaram muito, hoje temos presença assumida em diversos lugares, da Casa Branca a reallity shows como o Big Brother Brasil. Isso faz com que muitas pessoas que não convivem diariamente com essa realidade conheçam um pouco mais sobre o assunto. Mas ainda falta muito para fazer, não me refiro só as lésbicas mas as mulheres em geral. Existem muitas portas ainda por se abrirem. As mulheres precisam tomar seus lugares devidos, seja na política, nas empresas, na família, onde for. Muito já foi conquistado, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

UM: O que você considera importante e que pode ser feito por governos e pessoas para que esse longo caminho possa ser encurtado?

AL: Acho que todos podem contribuir de alguma forma. Seja através do governo com campanhas educacionais, ações sociais, apoio às ONGs que defendem os direitos dos homossexuais. Seja nas escolas através de professores ensinando o combate à discriminação e a aceitação das diferenças. Acredito que somente a educação pode erradicar os preconceitos da sociedade, desde que as pessoas sejam educadas para respeitar o próximo. Os pais têm um papel fundamental na formação de seus filhos, eles são modelos geralmente seguidos. E é aí onde se deve cultivar o respeito e tolerância para que no futuro tenhamos seres humanos com mais apreço e consideração pelo próximo seja ele como for.

UM: Recentemente o Um Mix proporcionou uma discussão a respeito da sigla adotada para o que diz respeito ao contexto político e social dos homossexuais. A mudança de GLBT para LGBT realmente ajuda a dar maior visibilidade à causa das lésbicas ou a questão da postura quanto à militância ultrapassa a questão burocrática de ter essa ou aquela letra à frente na sigla?

AL: A alteração na ordem das iniciais está longe de solucionar alguma coisa. O que faz a diferença, na minha opinião, são as ações, a própria militância em si. A visibilidade deste ou daquele grupo tem de ser conquistada e não imposta. Isso só gera polêmica e não acrescenta nada a causa.

UM: Você ficou famosa por ter sido uma das sócias da G3, a primeira festa voltada ao público GLS na região de Tubarão. Como foi a experiência? O que representa ter sido vanguardista? Por que a G3 não continuou?

AL: Fico muito feliz por tudo isso, essa etapa foi muito enriquecedora para mim. Tenho muito orgulho de ter feito parte de um uma iniciativa pioneira e tão ousada, corremos muitos riscos, mas a resposta do público foi nosso maior aplauso. Quando começamos tivemos que buscar apoio em uma cidade totalmente fechada e preconceituosa, as pessoas tinham medo de ir às festas e serem repreendidas. Quem costumava sair à noite tinha que ir pra outras cidades como Floripa e Criciúma para poder se divertir. Aos poucos fomos ganhando espaço, superando as dificuldades e conquistando o público. Porém, infelizmente os compromissos profissionais de cada sócio tomaram rumos diferentes. Com a carreira de DJ impulsionada quis dar mais margem à experiência que poderia adquirir viajando e conhecendo outras casas e festas. Mas como tudo que é bom merece continuação estreio o projeto Unique Label Party, dia 27/03, relembrando tudo o que houve de bom no período da G3 Parties e acrescentando toda a experiência que obtivemos conhecendo outros eventos Brasil afora.

UM: A Dj Aline Lee gosta de ouvir tudo o que toca nas festas? Qual seu gosto musical?

AL: Eu ouço de tudo. Até porque preciso estar antenada em todas as novidades do cenário musical mundial. Mas curto mesmo um som mais alternativo, aquilo que muitas vezes é pouco conhecido, um som não tão comercial quanto o que se toca em festas. Gosto de electro, house e tribal principalmente.

UM: O que não pode faltar nas festas da Aline Lee?

AL: Música de qualidade e para isso bons profissionais. Atrações que o público quer e gosta de ver. Temas inovadores que contagiam as pessoas. Tudo o que venha a deixar o público satisfeito e esperando uma próxima edição. E com certeza a Unique trará todos esses quesitos e mais, é só aguardar.

UM: Que mensagem você deixaria para todas as mulheres?

AL: Que façam mais do que comemorar a data do dia internacional da mulher, celebrando apenas no dia 8 de março. Que possam transformar todos os dias em momentos especiais e significativos, lutando pelos seus direitos, por igualdade e por respeito.

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3 Respostas to "Dia Internacional da Mulher: Papo especial com Aline Lee"

Aline, meus parabéns! Arrazou na entrevista.
Gostei muito!

Que venha a Unique L.P.

\o/

Tubarão precisa de uma festa decente!
Aquela On Top eh uma baixaria, peloamordedels!

uhalll e og ,alineee vai arazar na uniqueee
\o/

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