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Numa noite de sábado de 1995, enquanto íam dançar, dois travestis foram abordados pela polícia. Não era permitida a circulação de homossexuais no centro de Tubarão / SC durante a noite. Presos, ambos souberam dar a volta por cima. Gabriela bateu a poeira dos sapatos após deixar a delegacia. Anos mais tarde, candidatou-se vereadora, tornou-se presidente de ONG e mestre em neurolinguística. Emanuel Machado, estudante de jornalismo da UNISUL, concorre a um prêmio na categoria “melhor grande reportagem” com este texto:

“Simplesmente Gabriela

Apagaram as luzes, mas estávamos com sorte. A noite era clara e o brilho da lua formava uma espécie de penumbra que ultrapassava o basculante entreaberto da cela. Graças a essa meia-luz, conseguia identificar o contorno dos rostos de alguns amigos que, infelizmente, me faziam companhia. Não me pergunte como eram capazes de dormir em uma situação daquelas. Eu, particularmente, estava me consumindo ao tentar encontrar uma explicação para tudo o que aconteceu. Sentada no chão frio de concreto, refletia sobre uma forma de modificar aquela realidade. Sobre as pernas estendidas, acomodava a cabeça de meu amigo Adelcio e lhe acariciava os cabelos‘. (Gabriela da Silva – 1995)

Desarmei o guarda-chuva e apertei o número de qualquer apartamento no interfone. Uma senhora atende:
_ O que deseja?
_ Boa noite. Você poderia me informar qual o apartamento da Gabi?
_ Gabi? Não conheço, não. Ah! É uma morena?
E eu, que não a via por muito tempo, respondi duvidoso:
_ Sim, essa mesma.
_ Apartamento 103. _ informou a senhora.

Como se não bastassem os calafrios causados pela pouca experiência de um estudante de jornalismo, também tremia com frio naquela noite chuvosa de outono. Liberando a entrada, subi as escadas. Fui bem recebido com um aperto de mãos e um beijo no rosto. Em um dos lados do espaçoso sofá de couro branco, sentei de forma que ficasse de frente para minha entrevistada. Ela estava muito à vontade e me surpreendeu, pois era mais comunicativa do que eu imaginava. Enquanto falava, observava com cuidado seus movimentos. Apesar de ter as unhas pintadas, o tamanho das mãos foi uma das características masculinas que pude perceber na transexual.

Meu objetivo em seu apartamento? Repercutir um fato que ocorreu em meados da década de 90. Não tive acesso ao material veiculado pelo rádio nessa época, mas o jornalismo tradicional divulgaria, mais ou menos, dessa forma: Dois homossexuais foram surpreendidos pela polícia enquanto caminhavam na Avenida Marechal Theodoro na noite passada. As autoridades tomaram tal atitude, pois a comunidade já havia sido informada de que estava proibida a circulação de homossexuais naquele local. Concordo que o texto é claro e objetivo, mas existem muito mais informações nas entrelinhas do que parece.

Ao nascer, Gabriela foi registrada pelos pais com o nome Jesualdo da Silva. Cresceu ao lado de seis irmãos na cidade de Lauro Muller. Como qualquer criança, chorou, sorriu, sentiu medo, enfrentou, pulou corda, sonhou… Porém, havia um diferencial. Bastava rodar a vinheta do programa Cassino do Chacrinha que ela corria para frente da TV. Seus olhinhos brilhavam diante das Chacretes, modelos de perfeição. ‘Eu quero ser como elas. Eu preciso dançar como elas‘. Desejos que ferviam no inocente coração de uma criança. Porém, o tempo se encarrega de nos dar lições. Gabriela percebeu que a vida não é feita só de danças. Segundo ela, para conquistar o respeito da sociedade, teve que estudar muito.

A entrevista prosseguia e, aos poucos, eu ficava com os olhos rasos de água. Não conseguia esconder a admiração por uma pessoa que, embora fosse colocada à margem da sociedade, conseguia ultrapassar seus limites. Já não enxergava somente a Gabriela transexual, mas sim, a Gabriela funcionária pública concursada que trabalha no Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA. Enfim, estava maravilhado com a sabedoria e convicção de suas palavras. Era o mínimo que eu poderia esperar de alguém com 25 anos de magistério, mas talvez não tivesse levado em conta essa informação.

A entrevistada sabia que o tema da reportagem era violência, mas curtiu falar sobre sua vida pessoal. Acreditava que, dessa forma, pudesse contextualizar os fatos. Para ela, ser detida pela polícia não consistiu em um ato de violência física, mas sim, moral. A violação dos direitos humanos e o abuso de autoridade foram as causas da agressão. ‘Você não quer só o direito de comer e beber. Você quer ser livre e o ato violento acontece quando isso lhe é negado‘. Em alguns casos, a violência moral pode ser ainda mais dolorosa e duradoura que a violência física.

Apesar da avenida ainda movimentada,
ao longe podiam ouvir nossas risadas.
Depois de ficar uma semana toda a trabalhar,
nada melhor que um sábado à noite para sair e dançar.

Sob a imensidão do lindo céu azul marinho,
pontilhado de estrelas, lá íamos nós…
Para os ingênuos, duas santas,
Apesar da aparência atroz.

Gabriela lembra de quando os policiais pararam o carro. Estava junto do amigo Adelcio, também homossexual. Foram revistados e detidos sem apresentar resistência. Em seguida, levados para uma delegacia, onde receberam a informação de que estava proibida a circulação de “pessoas daquele tipo” na Avenida Marechal Theodoro. ‘Senhor, estávamos apenas caminhando até a danceteria‘. _ argumentou Adelcio, mas foi ignorado. ‘Temos o direito de telefonar para algum familiar‘. _ protestou Gabriela, mas não foi ouvida. Naquele mesmo local, havia uma repartição com grade de ferro. Foram encaminhados para lá, onde estavam outros homossexuais.

Gabriela diz que, o objetivo dos policiais era evitar a prostituição e o encontro de travestis, transexuais e gays que vinha acontecendo naquela avenida e causando constrangimento nos moradores. Reconhece que, alguns travestis com quem dividia a cela, foram detidos enquanto se prostituíam. Porém, o que mais restava para eles? ‘Muitos falam que a prostituição é opcional. Será mesmo? Muitas transexuais partem para essa atividade por que não são aceitas durante o dia. Por que não são vistas como seres humanos capazes de realizar qualquer outra função‘.

Nesse momento, fiz uma pausa. Surgiu uma dúvida, mas pensei uma ou duas vezes se deveria pedir esclarecimento. Parecia ignorância de minha parte, mas aprendi na faculdade que ‘jornalista bom é jornalista burro’. Ou seja, aquele que pergunta, pergunta, pergunta… No meu vocabulário faltaram palavras para formular a questão. Então, quase gaguejando, escapuliu:
_ Qual a diferença entre travesti e transexual?
Para minha surpresa, minha entrevistada não ficou surpresa. Ao contrário, disse que é comum esse tipo de dúvida. Explicou que o travesti é aquele sujeito que se veste como homem no dia-a-dia e como mulher em determinadas ocasiões. Já, as transexuais, incorporam a feminilidade o tempo todo. Retomando o assunto…

Gabriela lembra que, enquanto estava na cela, amigos e familiares tentaram intervir na decisão dos policiais para libertá-la. Eles argumentavam dizendo que os dois detentos tinham saído para dançar e não ‘fazer programa’, mas não adiantou. Na época, a transexual já era professora e não sabia de que forma justificaria tudo aquilo ao retomar seu trabalho. Por outro lado, se sentia apenas uma das vítimas daquela ‘caça as bruxas’. Recorda que, nos momentos de tensão, passava um filme em sua cabeça. O elenco era formado pela menina Chacrete, pela professora, pela garota das festas, pela Gabriela e pelo Jesualdo. Ambos se fundiam em uma só pessoa que estava reduzida a cinzas.

Lascava uma unha contra a outra. Outras vezes, tirava o esmalte com o dedão na boca. A ansiedade não permitia que minha perna esquerda se aquietasse, ficava balançando o tempo todo. A única coisa que me confortava era saber que usaria todo aquele preconceito e discriminação a meu favor. A dor só fortalece a velha Fênix, que ressurge das cinzas para voar ainda mais alto. À medida que o dia clareava, rompendo a escuridão daquela cela, eu tinha mais certeza disso. De repente, ouvi passos de alguém que se aproximava. Meus ouvidos também estavam sensíveis para identificar o barulho de um molho de chaves. O policial abriu as grades e chamou um dos meus nomes:
_ Jesualdo da Silva!
Foi um momento de glória para mim. Por que eu sabia que a frieza daquelas paredes não poderia segurar o meu coração que queimava. Naquele momento, eu me erguia para ser ainda mais ousada, para ser uma professora ainda melhor, para me candidatar ao cargo de vereadora daquela cidade e, até mesmo, ser presidenta de uma Ong em defesa aos homossexuais. Eu ainda levantava, quando o policial gritou:
_ Jesualdo da Silva!
Sacudi a poeira de meus pés ao sair daquele lugar. Olhei para os olhos da autoridade e disse:
_ Poupe seu vocabulário, policial. Pode me chamar de, simplesmente… Gabriela.

* Esse texto é uma ficção jornalística. Ou seja, baseado em fatos reais.”
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A peça teatral Figo estreia hoje em Blumenau e só faz confirmar o que todos sabemos, porém, não assumimos: o fato de que aquele povo loiro e de olhos azuis dá um banho de cultura em muitas cidades ditas como “grandes, metrópoles ou simplesmente capitais”. Blumenau é berço de grandes escritores, poetas e pensadores. Basta lembrar Urda Alice Klueger e Lindolf Bell. Voltando a falar de Figo, sim é uma peça com temática homossexual e que não veio para inverter o preconceito ou transformar os gays em seres que se assemelham com mocinhos de novelas. Figo simplesmente conta uma história de amor entre dois homens.

Vejam o que o Jornal de Santa Catarina publicou sobre a peça:

TEATRO

O mesmo fruto

O AMOR HOMOSSEXUAL É TEMA DA PEÇA FIGO, ENCENADA DE HOJE A DOMINGO PELO GRUPO K NA FUNDAÇÃO CULTURAL

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Em uma festa, um baile, um lugar público, um casal troca olhares. A insinuação visual passa a fluir para os corpos, que se aproximam. Ali, sob os olhares atentos de todos, trocam abraços e beijos. Nada pareceria incomum se os carinhos fossem entre um homem e uma mulher. Mas você tem certeza que sua reação e de outros ao seu redor seria a mesma caso os apaixonados fossem pessoas do mesmo sexo? Preconceito, respeito e aceitação sobre o amor gay fazem parte do espetáculo Figo, do Grupo K, que estreia hoje, na Fundação Cultural de Blumenau.

Monólogo baseado no texto Terça-Feira Gorda, do escritor Caio Fernando Abreu, o espetáculo dá margem para que realidade e ficção se misturem. No palco, o ator Rafael Koehler, orientado pelo diretor Pépe Sedrez, encarna o personagem ao mesmo tempo em que aborda experiências próprias. Quem o conhece, talvez consiga diferenciar esses momentos, mas a confusão é proposital.

– É uma forma de tocar as pessoas. Não tinha como não se expor. Era preciso tirar as máscaras, afinal quando se trata de um tema assim, a gente não pode se esconder – comenta Pépe.

Com o destaque de gays na mídia, há quem considere que a comunidade homossexual esteja representada e cada vez mais aceita. No entanto, para o escritor Gregory Haertel, que auxiliou na produção textual, essa aceitação é falsa. Como exemplo, ele cita que nunca um casal homossexual andando de mãos dadas em pleno dia.

Apesar da temática ter o objetivo de ecoar nos pensamentos do público, o Grupo K teve a preocupação de não fazer uma obra panfletária. Cogitou-se a possibilidade de após o espetáculo repassar informações sobre a atual situação da comunidade gay, os casos de discriminação e até mesmo números de assassinatos de homossexuais no Brasil. Entretanto, as informações foram retiradas por não ser um trabalho didático, mas artístico, focado em uma história de amor.

– E no respeito por esse amor – diz Rafael.

Além disso, houve a preocupação de não desenvolver um preconceito ao contrário, ou seja, transformar o personagem em um ser perfeito. Por isso, ele bebe, revela mais de uma paixão e tem contato com drogas.

Figo

A fruta título do monólogo, metáfora para essa relação de sentimentos entre pessoas do mesmo sexo, foi retirada do próprio conto do escritor Caio Fernando Abreu (confira trecho abaixo). A introdução para o texto e o final da peça foram produzidos pelo escritor blumenauense Gregory Haertel e o ator Rafael Koehler.

Apesar de não possuir nenhuma cena explícita, o Grupo K optou por indicar a faixa etária para maiores de 18 anos. Palavrões e referências à violência, sexo e drogas restringem a entrada de adolescentes. A peça tem apoio do Fundo Municipal de Cultura e integra a Temporada Blumenauense de Teatro.

Trecho

“Entreaberta, a boca dele veio se aproximando da minha. Parecia um figo maduro quando a gente faz com a ponta da faca uma cruz na extremidade mais redonda e rasga devagar a polpa, revelando o interior rosado cheio de grãos. Você sabia, eu falei, que o figo não é uma fruta mas uma flor que abre pra dentro. O quê, ele gritou. O figo, repeti, o figo é uma flor. Mas não tinha importância”

Trecho de Terça-feira Gorda, conto de Caio Fernando Abreu, do livro Morangos Mofados.


Por: Mayara Branco

Lendo um pouco sobre andróginos no badalado blog de irmã Cleycianne, fui tirar algumas dúvidas sobre a escrita certa da palavra e acabei descobrindo duas formas corretas de escrevê-la . O que difere uma forma de outra são as significações.

Os “andróginos” com “i” são pessoas que têm características físicas e comportamento de ambos os sexos.  Assim quando pensamos em Lady Gaga, Michael Jackson, Prince, Bill Kaulitz (o vocalista do Tokio Hotel) e derivados não podemos distingui-los apenas pela aparência. Pois para deixar em evidência sua dualidade os “andróginos homens” usam adereços femininos e as mulheres, masculinos.

Não é por isso que os “andróginos” venham a ser homossexuais ou bissexuais, pois, a androginia nada tem a ver com orientação sexual e sim com caráter do comportamento e aparência individual.  Em literatura, no livro “O Banquete”, de Platão, o andrógino é uma criatura mítica proto-humana. Descrito assim por Aristófanes, em função do surgimento dos sexos.

Partindo então para a Androgenia, os “andrógenos” com “e” não são indivíduos, mas fatores que originam ou estimulam os caracteres humanos e outros fatores que geram a aparência masculina como: barba, tórax, etc.

Portanto cuidado quando você ver algum “andrógino” por aí, ele pode não ser o que parece.

Amores, Laguna vai ferver! E a noitada de sábado (30) começa à tarde com uma coisa assim, digamos, bem hetero, a Costelada dos Amigos. Para cair na night e se esbaldar tem a Babylon, festa pra lá de friendly, da Zoo Parties, no Mar Grosso. Essa aí promete! São 3 dj’s, 8 gogos (boys e girls) e 2 lolitos, além de toda animação e glamour!

Não está satisfeita? Se joga pra Floripa, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, New York, a louca!

Ah! Você é do tipo intelectual até em weekends? Não se preocupe! A Diva aqui também é cultura meu nego!

Leia Vera A Pequena Moisi, de Vera Fisher, uma diva assim como eu, Globo Editora (R$ 29,00) e encante-se com a primeira parte da autobiografia da eterna Miss blumenauense em uma história cheia de fotos pessoais.

Nos telões das melhores salas há uma tensão gay entre Jude Law e Robert Downey Jr. Trata-se de Sherlock Holmes. No filme, o detetive e seu fiel parceiro John Watson envolvem-se em uma batalha contra o crime na Inglaterra, utilizando suas habilidades físicas e mentais. Sobre a tensão gay: não fui eu que inventei, foi o próprio diretor, Guy Ritchie (ex de Madonna, quantas divas hoje!), quem declarou.

Enfim, find. Enfim, noitada!

E para quem quer balada aqui pela região, a pedida é a Marawê Laguna 2010, que neste sábado (23/01) vai fazer uma coisa meio vintage com o Grupo Tubarão (uns roqueiros do tempo dos Menudos) + Lipous + Cacau Menezes + hip hop com vários Mc’s, incluindo o Cabal.

Já no domingo, se você curte uma coisa meio degradê, vá para a Recanto Disco Club (Termas do Gravatal).

Mas cuidado, ambas são apenas simpatizantes.

E para quem quer uma bela noitada assumidamente alternativa, o rumo certo a seguir é Floripa. Na Concorde Club, sexta (22/01) tem Garota Perva Verão 2010 – meninos, antenem-se! O valor masculino é mais do que o triplo do feminino (Perversion é Perversion né gente, elas não curtem!) e no sábado (23/01) tem Special Dance Floor. Ah! No Club Hangar, tem balada sábado (23/01) à tarde (só para eles).

No Mix Café vão rolar festas na sexta (22/01) e no domingo (24/01), ambas com muita Selma Light pra vocês!

Se essas opções ainda não satisfizeram, a Fly e a Galesi, em Blumenau, e a Levion, em Balneário Camboriú,  também vão agitar no find!

E, sei lá, se estiver a fim de ir alem, se você for rica pegue o primeiro voo e se jogue pra The Week em SP!

Prefere relaxar a belexa? Livro é uma ótima pedida e nada melhor que Marilyn Monroe, um ícone do cinema e da beleza que continuará fascinando várias gerações. Leia “Marilyn últimas sessões”, de Michel Schneider.

Se você tiver aqueeeeela boa companhia, corra pro cinema que O Avatar, de James Cameron, ainda está em cartaz. Se eu fosse você estivaca até Floripa pra conferir este longa em 3D, no Floripa Shopping. É emocionante!


Quer saber?

Pode falar

Pedro leonardo em Papo de 5ª com JP (Freedo…
JESSICA M. em Andróginos X Andrógenos
Rita de Cássia Marti… em Papo de 5ª com JP (Freedo…
djonathan em O V do PV não é de Veado!
djonathan em Gays de Porto Rico querem que…

Pra crescer, basta olhar

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